O estímulo é importante na vida de quem recebe cuidados?

Muitas vezes, as pessoas que lidam com a tarefa de cuidar se atém somente à higienização, alimentação e atividade relacionadas à administração de medicamentos. Entretanto, embora contemple essas áreas, cuidar é muito mais e vai além de manter a pessoa limpa, alimentada e tomando medicamento nos horários devidos.

O que falta, então? O que mais poderia ser agregado à tarefa de cuidar?

Constantemente, uma coisa muito importante deixa de ser observada na tarefa de cuidar: a estimulação da pessoa que recebe cuidados. O estímulo é fundamental na lida do cuidado. É, também, uma potencial ferramenta que impacta diretamente na vida de quem recebe cuidados, podendo, inclusive, proporcionar melhora no seu estado de saúde. Estimular promove qualidade de vida, bem-estar e eleva a autoestima. Estimular é tentar assegurar uma vida digna.

Existem diversas formas de se estimular. O estímulo pode ser trabalhado sob a ótica de questões físicas, sociais, cognitivas, espirituais, culturais e psicológicas, entre outras. Para ficar mais claro, vamos dar exemplos de possíveis formas de se estimular, olhando para essas dimensões.

Na dimensão física, pode-se, por exemplo, levar o idoso para passear pelo quintal e/ou dar uma volta na quadra (quarteirão). Esse tipo de estímulo traz experiências sensoriais, as quais são, normalmente, muito significativas para quem as sente. Sentir o vento no rosto, o sol na pele, ouvir o canto dos pássaros são experiências únicas, que, interferem, também, inegavelmente na dimensão psicológica do ser que está a receber cuidados.

A questão social é importantíssima na vida de todo e qualquer ser humano. Viver em sociedade consiste em relacionar-se com outros. Trabalho, escola, faculdade, família, igreja, clube, festas, passeios, jantares. A questão social perpassa todas as etapas da nossa vida. Por isso, é fundamental estimular o convício social, o contato com outras pessoas. Logo, procurar marcar encontro com familiares, passeios em família, viagens, atividades de lazer com entes queridos, amigos ou vizinhos podem ser consideradas atividades que estimulam a área social da vida de uma pessoa e que, com certeza, deixarão sua vida com mais sentido e prazer.

O aspecto cognitivo, evidentemente, não pode ficar de fora. Cognição está relacionada à nossa capacidade e habilidade de captar, armazenar, trabalhar, excluir e processar dados (informações). Muitos são os jeitos de se fazer um estímulo cognitivo. Leitura, jogos (dama, xadrez, dominó, por exemplo), fotografias (álbuns antigos da família), quebra-cabeça, atividades que estimulem lembranças importantes, estratégias, a memorização, a linguagem, a associação de conhecimentos prévios e o raciocínio entre outros exemplos podem ser citados, quando se fala em estimular a dimensão da cognição.

Se a pessoa for religiosa, incentiva-la a frequentar locais (igrejas, paróquias, centros espíritas, etc) que professem a mesma fé, crenças e/ou princípios que a pessoa acredita pode ser um estímulo muito significativo. Para além da estimulação do aspecto religioso, existe, ainda, aquela voltada para o cultural, (que pode se dar por meio de visitas a museus e a teatros, por exemplo) e aquela para o psicológico (filmes, lembranças, músicas, atividades que sejam prazerosas, por exemplo).

O ideal é procurar estimular todas as mais diversas áreas da vida de uma pessoa.  Para que se consiga estimular uma pessoa, da melhor forma possível, é necessário conhece-la a fundo. Quanto mais se conhece, maiores são as chances de as atividades propostas serem assertivas e eficazes.

Quando se fala em estimulação, algo deve ser levado em consideração: a questão de se tomar os devidos cuidados para não impedir que a pessoa que recebe cuidados deixe de fazer (abandone) as atividades que ainda é capaz. O que se deve fazer é estimular a manter aquelas atividades que ainda, por si mesma, consegue realizar. Por um lado, o estímulo para manter as atividades é fundamental. Entretanto, não basta apenas tentar manter. É vital estimular com o objetivo de buscar desenvolver novas atividades (como, por exemplo, aprender um novo idioma, um instrumento musical, um jogo estratégico ou de memória, memória, etc).

Ou seja, o ato de estimular pode estar direcionado para três frentes: (a) manter atividades que foram preservadas por completo ou parcialmente prejudicadas; (b) voltar a fazer o que se perdeu; (c) aprender/desenvolver coisas novas. Pode-se trabalhar, simultaneamente, com essas três vertentes ou, a depender do caso, separadamente. Tudo depende do contexto, das limitações e do estado de saúde de quem recebe os cuidados. Portanto, é indispensável que o cuidador aja sempre com responsabilidade e profissionalismo.

Na dinâmica do cuidado, o cuidador pode acabar errando por excesso de cuidado, ou seja, por querer fazer exatamente tudo para a pessoa que necessita de ajuda, esquecendo-se de que esta ainda pode fazer muitas coisas. Esta atitude (de fazer tudo pela pessoa) é conhecida como Paternalismo e não é nada saudável para a prestação de cuidado.

Por isso, o ideal é que o cuidador seja um “supervisor do cuidado”, ou seja, deve atuar de forma a supervisionar, auxiliar a pessoa que necessita de ajuda. Isto quer dizer que deve dar condições para que aquele(a) que necessita de auxílio nas atividades de vida diária seja estimulado (a) a: manter suas atividades que consegue executar, voltar a fazer o que já não consegue mais e desenvolver novas atividades.

Esta atitude de estimular, por um lado, incentiva a pessoa que recebe cuidados e, por outro, pode levá-la a atingir sua independência e autonomia, que são elementos são imprescindíveis na vida de todo ser humano, pois representam o autocuidado (independência) e o autogoverno (autonomia).

Neste contexto, o cuidador precisa ser um “agente motivador”, sempre mostrando que é possível ter algum tipo de resultado, mesmo diante das dificuldades. Cuidar implica em motivar diante das situações de desanimo, de sentimento de fracasso e tristeza, resultados de não se ter o mesmo desempenho de outrora.

Se você está à procura de alguém que, além de assegurar a higienização, a alimentação e a administração de medicamentos, saiba como (e que veja a importância de) estimular, não deixe de nos contatar. Nossos cuidadores são treinados para essa característica tão relevante e fundamental do cuidado, que é a estimulação.  

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