Desvendando a Fibromialgia

     Você provavelmente já ouviu falar de Fibromialgia. Mas você sabe o que isso significa?

     A Fibromialgia (FM) trata-se de uma síndrome de etiologia desconhecida. Isso quer dizer que, por se tratar de uma síndrome de dor crônica, o seu diagnóstico é dado a partir da exclusão de outras condições que também envolvem dores difusas. Apesar de estar cada vez mais presente (cerca de prevalência de 2% na população mundial geral), ainda não existe um exame específico que a detecte precisamente. As características de indivíduos acometidos são predominantemente mulheres, na faixa dos 40 a 60 anos com a presença de comorbidades, ou seja, já diagnosticadas com uma doença anteriormente. Dentro da classe de tais comorbidades, são muito comuns serem observados doenças reumáticas assim como distúrbios de depressão e/ou ansiedade. A proporção de acometimento entre os gêneros são de 1 homem para cada 10 mulheres.

    Por se tratar de uma síndrome com ampla complexidade, sua abordagem é biopsicossocial, ou seja, os fatores que influenciam seu desenvolvimento podem ser biológicos, psicológicos ou sociais. Além disso, trata-se de uma condição heterogênea, o que significa que cada indivíduo sente sua condição principal, a dor crônica não articular e com pontos dolorosos gerais de forma padrão, porém ao enumerar os outros sintomas pode haver uma distinção. Apesar de tal distinção as consequências da síndrome afetam diretamente na qualidade de vida de seu portador, sendo comumente indicados: fadiga, redução da força e/ou desempenho muscular, rigidez dos músculos, depressão, ansiedade, alto nível de estresse, transtorno da redução de atenção, vigilância exagerada, sono não reparador, entre outros.    

    O tratamento farmacológico é o mais utilizado, devido às grandes demandas que a síndrome traz para a vida de seu portador, com ênfase, principalmente nos fármacos antidepressivos e relaxantes musculares. Porém, é indicado que, se possível, realize-se juntamente com um tratamento medicamentoso uma complementação não-farmacológica, que pode ser resumida em: terapias cognitivo-comportamentais, acupuntura, massagem, terapia corpo-mente, terapia mente-plana, hidroterapia, ozonioterapia, exercícios físicos, entre outras possíveis.

     É de suma importância ressaltar que, em caso de síndromes que envolvam as demandas biopsicossocias torna-se viável a complementação por meio de uma alternativa não-medicamentosa, buscando o bem estar e a melhora da qualidade de vida do paciente. Logo, com o evento de transição demográfica e consequente inversão da pirâmide etária, ou seja, maior presença de idosos na população juntamente com o a grande demanda proveniente de doenças crônicas na atualidade como depressão e transtornos de ansiedade, há a necessidade da conscientização a respeito de síndromes como a fibromialgia. A conscientização é um aspecto importante em diversos sentidos não somente em relação a autopercepção do quadro e consciência da dor, mas também em função da empatia e cooperação daqueles que estão à sua volta, visto que muitas atividades rotineiras como a realização do ofício, dirigir, limpar e cozinhar podem se tornar mais difíceis em dias em que os sintomas estão mais graves e presentes.

Por:
Beatriz Coppi Lavelli
Estagiária Human Life 2020
Graduanda em Gerontologia pela Universidade Federal de São Carlos
E-mail: bcoppilavelli@gmail.com / Instagram: @biageronto

Referência
MACFARLANE, Gary J., et al. EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia. Annals of the rheumatic diseases, 2017, 76.2: 318-328.

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